As Musas Esqueléticas
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"Vinde cá, meu tão certo secretário Dos queixumes que sempre ando fazendo" ]]>en-us2007-09-19T21:51:57+00:00Fim]]>
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Este blogue morre aqui. A poesia é inútil, mas indispensável aos poucos que a lêem ou que a lêem e a escrevem por necessidade biológica. Por isso, continuará algures, com residência sem número de porta, em data que não se...mb2007-09-19T21:51:57+00:00FIM DE FÉRIAS
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As mulheres no frágil fim de Agosto e o amor que há-de chegar ou não chegou ou partiu, e todavia os seios que se soltam em blusas leves, estremecendo, guardados por botões tão pequenos. A pele branca onde o sol...mb2007-07-19T01:36:45+00:00Lua Cheia
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Vê, no espanto da lua, quanta gente caminha, quanta gente vem subindo ao luar desde o fundo dos anos: às vezes o verão, de noite, traz um cortejo assim, seres já sem nome, e se o vires, descobres que longos...mb2007-05-31T09:13:09+00:00O Comboio
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O comboio partia precisamente quando os pássaros chamavam a luz do sol aos ramos da araucária. Estavam no lugar onde ambos podiam redimir-se, no lugar onde o afecto os salvaria, não tanto como àqueles pássaros agitados ainda no fim da...mb2007-05-25T14:18:03+00:00Mosteiro de Cós
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Sentámo-nos a meio do tempo incessante, entre os restos de Cós, um comércio em ruínas e a estrada onde carros passam como símbolos de hoje e lembram o motivo de a loja ter fechado, dizem para que a terra continue...mb2007-05-23T22:26:30+00:00Lugar Interior
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Ali, sob os carvalhos, poderíamos estender a toalha na recém ceifada terra, a sombra e a luz do sol, as encostas do tempo em que ficaram quietos os penedos de lava, os números digitais ausentes como nos morangos silvestres que...mb2007-05-22T03:08:19+00:00Não se lembra
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Pede um poema alegre neste tempo em que vamos migrando de nós para lado nenhum, bebendo a luz do sol, tão inscientes como Ricardo Reis com Lídia. Não se lembra de que é tudo uma urgência, embora os mesmos velhos...mb2007-05-12T23:09:54+00:00Sem Metafísica
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Este silêncio sem os pássaros idos da infância, com árvores apenas árvores, com montanhas que são montanhas e as estradas de sempre que se afastam da terra prometida por nenhum deus ― palavras para nomear coisas cruas, desabitadas de quarta...mb2007-05-12T09:11:45+00:00Tema em desuso
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Hoje ninguém escreve sobre a luz coada da floresta, ninguém diz o ar, a mutação lenta das folhas, movimento perpétuo de onde vínhamos. Nascemos multidão, e a fala surge com palavras estranhas à velha ordem, difundidas por todos os canais...mb2007-05-09T17:36:11+00:00O Dia de Hoje
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Não podemos viver nos intervalos e não é bom fazer projectos porque o futuro vai somente até uma semana após o dia de hoje e um quarto casual fecha depressa. Oxalá a memória chegue para habitar quartos vazios com...mb2007-05-06T09:42:09+00:00FUGA
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Diz-me com o teu rosto claro, com os teus olhos mutáveis na luz do sol e nessa que me escondes e que nasce do tempo acumulado em casas destruídas, em castelos reais ou a fingir, em rios e no mar...mb2007-05-04T16:12:02+00:00MARINHA
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Fingia ou divagava se dissesse seria aquele mar que havia de acolher-me o corpo. O mar nunca foi Deus nem Deus se fundiria com o mar na infinita distância com que governaria o mundo. Assim sobeja parte desta gente cada...mb2007-05-03T10:54:01+00:00EXCERTO DE UMA FALA
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Haverá uma igreja nesta cidade apenas de subúrbios onde se possam juntar os nossos mercenários e dizer-lhes que Deus os favorece sem o peso da culpa e que por isso ninguém os julgará, que as suas arruadas são ungidas pela...mb2007-05-01T15:52:44+00:00Palavras Diversas
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Muitas vezes ficamos esquecidos do modo de existir por dentro, esse com que as palavras nos definem a vida e o pensamento em música. Mas tu sabes e eu sei que as palavras não valem um sorriso, não valem, no...mb2007-04-09T20:39:38+00:00Sobre o acaso
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Quando desceu do eléctrico em Lisboa pela primeira vez era tarde demais para saber o que haveria em si, que luz além da ardência que entontece as praças de verão, que esperança teria, salvo aquele impulso de árvores. Era tarde...mb2007-03-26T21:18:59+00:00